terça-feira, 7 de janeiro de 2014

Harry Potter, a curiosidade e a morte.

HARRY POTTER E A PEDRA FILOSOFAL

Editora: ROCCO
Cidade: Rio de Janeiro
Ano: 2000
Páginas: 223 p.




“— Mas por que Quirrell não podia me tocar?
— Sua mãe morreu para salvar você. Se existe uma coisa que Voldemort  não consegue compreender é o amor. Ele não entende que um amor forte como o de sua mãe por você deixa uma marca própria. Não é uma cicatriz, não é um sinal visível. Ter sido amado tão profundamente, mesmo que a pessoa que nos amou já tenha morrido nos confere uma proteção eterna. Está entranhada em nossa pele. Por isso Quirrell, cheio de ódio, avareza e ambição, compartindo a alma com Voldemort, não podia tocá-lo. Era uma agonia tocar uma pessoa marcada por algo tão bom” (P.215)


     Quem nunca ouviu falar deste livro? A série de livros que viraram filmes, consiste numa das literaturas mais lidas do mundo em 200 territórios e  traduzidas para 65 idiomas. O segredo de tanto sucesso? Não precisa de muita análise não. Só proponho que leia o primeiro livro desta espetacular série e você verá a preciosidade que é a escrita de J.K Rowling.

 Só li o livro agora pelo simples fato de que nunca tive a oportunidade de ter um em minhas mãos até então e estava ocupado com outras leituras que me impediam de investir energia em realizar minha tentativa de lê-lo na tela de um computador (tentativas frustradas várias vezes pelo apreço negativo que tenho a esta experiência).

Nada se compara a um bom livro em sua mão para abrir, folhear página por página, viajar e se aventurar junto à Harry Potter e seus amigos em diversas aventuras no mundo fantasioso dos bruxos, com suas magias, porções, encantos, criaturas estranhas e jogos de quadribol. 

Apesar de pequeno, o primeiro livro descreve momentos e peripécias variadas pelo qual o protagonista passa. Você vai conhecer junto à Harry, a grande escola  de Magia e Bruxaria de Hogwarts , lugar onde ele torna-se gratuitamente amigo de Rony Weasley e com muito mais custo de Hermione Granger. Lá eles aprenderão poções, feitiços, voar em vassouras e, principalmente a exercer beleza e o perigo da curiosidade. A sede de respostas e de montar o quebra-cabeças de um mistério acidentalmente encontrado é que faz estes três amigos se meterem numa confusão sem tamanha que quase custa a vida de cada um deles, mas que impediu o maior vilão da história dos bruxos de retornar facilmente ao poder.

Creio que a temática principal que envolve a história, é a experiência da morte. A pedra filosofal que dá nome a este primeiro livro serviria para prolongar a vida. E não é à toa que o vilão da história queria muito tê-la em seu domínio. Buchaul¹ (2009) em artigo que faz análise de Harry Potter e o sucesso das literaturas de massa cita a autora da saga quando esta fala


“Os meus livros abordam bastante a morte. Começam com a morte dos pais de Harry. Há a obsessão de Voldemort em derrotar a morte e conquistar a imortalidade a qualquer preço [...]. Eu percebo porque é que Voldemort quer conquistar a morte. Todos nós temos medo dela”, disse Rowling. Os livros colocam o bem contra o mal e o amor contra a morte. A perseguição de Voldemort para evitar a morte inclui episódios como beber  sangue de unicórnio e separar a sua alma através do uso de “horcruxes”. O próprio nome de Voldemort significa “voo da morte”, em Latim e em Francês, e “roubar a  morte”, em Francês e Catalão e sua perseguição pela imortalidade contrasta com o sacrifício de  Lílian Potter (mãe de Harry, que morreu para protegê-lo), o amor por Harry e a magia extraordinária  que o seu gesto deixou nele, um sacrifício que Voldemort nunca poderá entender ou apreciar.” (BUCHAUL , 2009 , p.2)


Esta experiência de medo da morte e contato com esta e a reflexão a respeito disso é uma das experiências que esta leitura pode suscitar.  Não é a toa que escolhi como trecho para representar este livro o momento em que o Sábio Bruxo Dumbledore explica a Potter o poder que o defendeu das mãos do ‘inimigo’ (sugiro que leia-o novamente).

De leitura fácil, indicado para todas as idades, principalmente para aqueles que não querem deixar morrer, a fabulação, a fantasia e a criatividade de viver uma história que mesmo com elementos inexistentes da vida real, nos colocam em contato com os sentimentos e as vivencias que fazem parte da vida cotidiana. Cada página é um novo aprendizado e uma nova viagem. E que venha a próxima aventura.


J.K. Rowling é uma escritora britânica, cursou Língua e Literatura Francesa na Universidade de Exeter. Após sua graduação, ela deu sequência à formação na capital francesa, aí permanecendo durante um ano. Voltando à Inglaterra, começou a trabalhar como secretária bilingue e investigadora. Ansiando por concretizar seu sonho de escrever, deixou o cargo e foi para Portugal no ano de 1991. Quando enfim , Harry Potter  foi publicado, em junho de 1997, ela ministrava aulas de francês. O sucesso foi instantâneo, vieram os primeiros prêmios no campo dos livros para crianças. Ela conquistou até mesmo a premiação de Livro Infantil do Ano, concedido pelo British Book Awards.


Deixo aqui o trailer da versão cinematográfica do filme para quem se interessou:



FONTES:
BUCHAUL, Sandra Venâncio Kezen. Harry Potter e a jornada do herói: receita do sucesso das literaturas de massa. Instituto Federal Fluminense. IV ENLETRARTE.  Disponível em : <http://www.essentiaeditora.iff.edu.br/index.php/enletrarte/article/view/1742/927> Acesso em 07 Jan 2013


sábado, 4 de janeiro de 2014

A fascinante construção do eu. (Resenha)

A FASCINANTE CONSTRUÇÃO DO EU
AUGUSTO CURY


Editora: Editora Planeta do Brasil
Cidade: São Paulo
Ano: 2011
Páginas: 192p

“muitos não superam seus conflitos e não mudam sua história emocional porque seu eu não é transparente, tem medo de entrar em contato com seus erros, infantilidade, radicalismo, agressividade. Seu eu, por ser vitima da necessidade neurótica de se defender, não olha para si, não é transparente, esquiva-se ansiosamente da dor emocional, fica, portanto, imutável.... não é possível viajar para dentro de nós mesmos de maneira inteligente e velejar nas águas da emoção de maneira saudável sem desenvolver um raciocínio abstrato penetrante.” P. 94


O livro em questão consiste num resumo, numa estrutura básica e mais direcionada de algumas questões que envolvem a teoria criada pelo autor denominada de teoria da inteligência multifocal. Portanto, consiste numa breve explanação (bem breve mesmo!) do que consistiria sua teoria no que diz respeito à formação do eu e estruturação de sua personalidade e gerenciamento psíquico do sujeito.
Composto por dez capítulos bem divididos e didáticos, de fácil leitura. Augusto Cury leva o leitor a compreender seu construto teórico definindo e explanando algumas categorias por ele estudadas das quais posso destacar:  as classes de raciocínios, os tipos de memórias, tipos de pensamentos, autoconsciência e tantos outros termos. Porem o objetivo de deste livro não é simplesmente definir a teoria em voga, mas trazer ao leitor uma compreensão critica e ampla a respeito de como estas estruturas se inter-relacionam e como é importante uma atenção maior ao gerenciamento eficaz destas , e  consequentemente um gerenciamento do seu próprio eu.
Longe de ser um livro de auto-ajuda (ao qual comumente  o associam, porem pode funcionar como um!)  possui um conteúdo recheado de criticas à relação do ser humano consigo mesmo e com as questões que perpassam sua vida, criticas também direcionadas ao sistema pedagógico e acadêmico. O livro é uma oportunidade de refletir a respeito da deficiência cada vez maior de gerenciamento psíquico e uma incidência preocupante de patologias psiquiátricas que poderiam ser evitadas se pudéssemos nos atentar para isso.
É uma boa leitura para os interessados numa leitura que trate de comportamento humano em uma escrita mais leve e critica e sem muito aprofundamento teórico. É bem sucinto e direto e pode suscitar no leitor uma busca de conhecimento mais amplo. Senti falta de uma robustez de informações mais detalhada e uma conclusão mais direcionada (já que ele conclui o livro mais com uma reflexão critica). Porem esta falta apenas acontecerá com pessoas que já tenham um bom contato com a área psi. e que portanto buscariam conteúdos para alem do escopo e objetivos do autor.
Augusto Cury é Médico Psiquiatra, Psicoterapeuta, cientista e escritor. Brasileiro. Um dos seus livros de maior sucesso é o livro “O vendedor de Sonhos”. Autor também da Teoria da Inteligência Multifocal.



Até o próximo livro!

Harry Potter e a Pedra Filosofal.