quarta-feira, 23 de abril de 2014

Moisés - Charles R. Swindol

SÉRIE HERÓIS DA FÉ - MOISÉS

Autor: Charles R. Swindoll
Editora: Mundo Cristão
Cidade: São Paulo
Ano: 2000
Páginas: 420 p.




“O dia que iria quebrar esse silêncio, porem, amanheceu igual aos outros no deserto. Na noite anterior, enquanto dormia debaixo das brilhantes estrelas do deserto, junto ao rebanho, talvez sob a sombra  ameaçadora do Sinai, ele não viu nenhum meteoro cruzar o céu. Não ouviu voz alguma. Nenhum anjo bateu em seu ombro na hora do café da manhã, dizendo: ‘fique atento, Moisés. Deus vai falar hoje’.Não houve insinuações, premonições, sinais especiais para alertá-lo que Deus iria quebrar o silêncio naquele dia e que sua vida iria mudar para sempre. (...) Sem o menor sinal de advertência. Ele fala a pessoas comuns, em dias comuns.” (p.117)

            No mundo ocidental, de tradição eminentemente cristã, e mesmo no mundo oriental, onde os Judeus espalham-se  entre os diversos países , a figura de Moisés é muito bem conhecida. Não apenas por se popularizar junto a enorme disseminação da Biblia e do Pentateuco (ou Torá), mas também por ser uma história que , para alem da fé judaico-cristã atrai a atenção de seus ouvintes.

Moisés é o predecessor da fé Monoteísta enquanto fato histórico, ele finca as bases da fé, quando sob orientação Divina conduz seu povo (os judeus) rumo à libertação e conquista da terra proibida. Não que o Deus de Israel não se fizesse presente anteriormente, até porque a própria historia bíblica detém de relatos de contato entre Deus e o seu humano desde a criação do mundo.

O que Moisés foi capaz de fazer porem, mais do que a promoção do êxodo e do surgimento enquanto um dos primeiros grandes heróis da fé, foi deter da responsabilidade sobre a unidade política e religiosa da nação Judaica. Ele não foi apenas um “mito”, como muito especulam, mas foi uma figura real e histórica que mudou o rumo da história das civilizações.

Em um estudo sobre a influencia da civilização egípcia sobre a obra de Moisés, o autor faz referencia a existência fatual e histórica deste personagem e sua importância enquanto líder e herói da fé de Israel.

“Já, porem bem longe vai o tempo em que o desvairamento metafísico pretendia transformar os mais celebres heróis e gênios da Antiguidade em meros seres mitológicos. Não! Moisés existiu e foi, sem dúvida, um desses raros homens, uma dessas individualidades excepcionais que, no passado, deram impulso decisivo à vida política e religiosa dos povos. Antes de Moises, é indubitável , as diversas tribos hebraicas não constituíam uma nação, embora reconhecessem que pertenciam à mesma raça, ou melhor, a uma só etnia. A obra do grande chefe, parece ter sido, antes de tudo uma obra política: a criação de Israel pela fundação de uma religião nacional: Yahvé seria o Deus de Israel, e Israel seria o povo de Yahvé.” ( DE SOUZA, 1952)
           
Moisés desconhecia a situação grandiosa à que era destinado por Deus. Vivia , assim como qualquer outro, cumprindo suas obrigações. Mas, sua história era diferente do comum, desde o momento de seu nascimento.

O livro Moisés: um homem dedicado e generoso, de Charles R. Swindoll traz um panorama sobre a vida de Moisés, acontecimentos marcantes e especulações sobre o que estaria passando em sua cabeça diante das grandiosidades do Deus-todo-poderoso.

Não é um livro de valor histórico-cientifico, apesar de manter seu olhar sob a Bíblia, livro que apesar de diversas retaliações, tem-se mostrado fiel em suas descrições de fatos históricos. É um livro de fé, um livro de expressão teológica, muito útil no sentido de compreender as entrelinhas da historia deste grandioso personagem. Consolida a fé e traz à reflexão aos cristãos comportamentos, atitudes e formas de agir de Moisés, que podem ser utilizadas pelo cristão para que também consiga transmitir Deus em suas ações.


Sua leitura é fácil, é indicado para todas as idades, apesar de ser um pouco massante para crianças e adolescentes que não estão acostumados a leituras deste tipo. Muito interessante para líderes eclesiásticos e pessoas que utilizam ilustrações e estudos bíblicos em suas explanações, pois é recheado de exemplos, fatos e suposições que não estão expressos biblicamente, mas que enriquecem o entendimento. Porem, este livro não supre as necessidades de quem quer conhecer fielmente a historia, e por momentos pode fugir à suas intenções, alcançando por vezes objetivos muito amplos deixando a compreensão em alguns momentos confusa.

Charles R. Swindoll, é do Texas (EUA), nascido em 1934, estudou Engenharia Mecânica e serviu à Marinha dos EUA. Após o serviço militar no sudeste da Ásia, decidiu dedicar-se ao ministério pastoral. Em 1955, casou-se, teve quatro filhos. Quatro anos mais tarde, foi aceito no Seminário Teológico de Dallas, do qual viria a ser presidente e atualmente chanceler, formando-se com honras. Em 1966, foi ordenado pastor exercendo seus dois primeiros anos de ministério sob a tutela de J. Dwight Pentecost. Nos anos que se sucederam recebeu diversos títulos honorários de doutor de diferentes universidades.

FONTES:
DE SOUZA, João Francisco. Influência da civilização egípcia sôbre a obra de Moisés. Revista de História, v. 4, n. 10, p. 275-284, 1952. Disponivel em: < http://www.revistas.usp.br/revhistoria/article/download/35078/37817>. Acesso em :23 Abr. 2014.
< https://www.mundocristao.com.br/autordet.asp?cod_autor=6> Acesso em 23 Abr 2014.



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